terça-feira, 7 de agosto de 2007

Heróis do Mar

Depois de escutar o novo cd com o Best Off desta grande banda, senti-me quase na obrigação de fazer uma posta dedicada aos Heróis do Mar, não fossem eles uma banda dos nossos Verdes Anos.
Desde miúdo que ouvia na rádio e via na tv sucessos como "Paixão", "Só gosto de Ti", "O Inventor" "Amor", entre outras, e agora ao re-ouvir estas músicas, deixa-me uma saudade imensa por esta banda, visto já ter acabado há já alguns anos.
Para recordar, os Heróis do Mar, foram uma banda formada em 1981 por Paulo Pedro Gonçalves (guitarra), Carlos Maria Trindade (teclas), Tozé Almeida (bateria), Pedro Ayres Magalhães (baixo) e Rui Pregal da Cunha (voz e bandolim). Todos os elementos já tinham experiência musical em virtude de vários projectos realizados anteriormente. Magalhães e Gonçalves pretendiam com esta banda representar Portugal, a sua história e a sua cultura. A escolha do nome Heróis do Mar não foi portanto um mero acaso, foi tirado do primeiro verso do hino nacional português, A Portuguesa. Também o visual inicial da banda, caracterizado como algo neo-militarista, e as letras, que reflectiam, inicialmente e até certo ponto, a glorificação de um Portugal passado, não agradaram a muita gente. Aquando do lançamento do álbum de estreia, no Outono de 1981, a memória do Estado Novo estava ainda muito fresca e por essa razão a polémica instalou-se em torno do grupo, sendo inclusivamente acusado de fascista e neonazi. Os membros da banda afirmaram mesmo que eram proibidos de actuar a sul do rio Tejo.



Em 1982, lançam o single Amor, que se torna um grande êxito, chegando a obter mesmo o disco de platina. Em 1983, o grupo lança o álbum Mãe, o qual é bem recebido pela crítica, mas não tão bem recebido pelo público. O Single Paixão, torna-se um sucesso de rádio. O mini-LP lançado em 1984 intitulado O Rapto, apenas o single Só Gosto de Ti, conseguiu ter algum êxito. Em 1985, o single A Alegria, resulta num sucesso de rádio.
O Visual neo-militarista deu lugar a um visual mais ousado, menos polémico, mas mesmo assim ainda demasiado arrojado para a época, com muito cabedal e calças de ganga rasgadas.



Os cinco músicos começaram a empenhar-se em projectos a solo, Pedro Ayres Magalhães assumiu a direcção da editora Fundação Atlântica, produzindo discos de Né Ladeiras, de Anamar e dos Delfins. Os Heróis do Mar colaboraram no último disco de António Variações "Dar e Receber", no qual Magalhães e Trindade foram responsáveis pela produção e pelos arranjos. Em 1985, surgiram rumores de que Rui da Cunha poderia vir a abandonar o grupo, o que não chegou a acontecer.
Em 1986 é lançado o álbum Macau, recebido com elogios por parte da crítica, que renovou o fôlego e o vigor do grupo.
Em 1990, o grupo separa-se devido a conflitos internos. No entanto todos os elementos continuaram a dedicar-se à música, com excepção de Tozé Almeida, que acabou por se dedicar à produção de programas televisivos, publicidade e alguns telediscos.
Portugal não estava preparado para receber um grupo musical tão inovador como os Heróis do Mar, a música ficou, mas a banda acabou por cair no esquecimento de muitos.


posta metida por: Ricardo Granjeia a 7.8.07

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